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Alfredo Sirkis, ambientalista e fundador do PV, morre em acidente de carro

Por: Redação Itiruçu Notícias - sexta-feira, 10 de julho de 2020 - 0 Comentários

 Um dos fundadores do Partido Verde (PV) faleceu hoje (10) em decorrência de um acidente de carro, em São Paulo. Alfredo Sirkis, de 69 anos, era ambientalista, jornalista, político e escritor.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o veículo conduzido por Sirkis saiu da pista, colidiu com um poste e, em seguida, capotou. Na ocasião o jornalista estava sozinho no carro.

O Partido Verde brasileiro foi fundado em 1986. Cinco anos depois Alfredo Kircis tornou-se presidente da agremiação. Em sua trajetória política também consta a titularidade da Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro. Isso se deu em 1996. Posteriormente, em 1998, Sirkis foi candidato à presidência da República pelo PV.

Ex-guerrilheiro, Sirkis integrou a VPR de Carlos Lamarca e participou dos sequestros do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben e do suíço Giovanni Bucher. Exilou-se a partir de 1971 no Chile, na Argentina e em Portugal e voltou ao Brasil em 1979, com a anistia. 

O prefeito carioca Marcelo Crivella emitiu uma nota onde lamentou a morte de Alfredo Kircis. Crivella afirmou: “Alfredo Sirkis era um militante apaixonado por todas as causas que abraçava. Como secretário de Urbanismo e de Meio Ambiente da nossa cidade, sempre trabalhou por um Rio mais humano e solidário. Sua luta mais recente era contra as mudanças climáticas que tanto ameaçam nosso planeta. Tinha ainda muito a contribuir com sua experiência e dedicação. Neste momento de grande dor, peço a Deus que conforte sua família, amigos e admiradores.”

Trajetória: de guerrilheiro a ambientalista

Alfredo Hélio Sirkis nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de dezembro de 1950. Ultimamente, era o diretor-executivo do think tank Centro Brasil no Clima (CBC). Foi deputado federal e vereador por quatro mandatos.

No livro “Os Carbonários” relata sua participação na guerrilha urbana no Brasil, entre as décadas de 1960 e 1970. Como membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), sob a liderança de Carlos Lamarca, atuou ativamente na guerrilha. Participou do sequestro do embaixador da Alemanha Ocidental no Brasil, Ehrenfried von Holleben, em junho de 1970, em plena Copa do Mundo de Futebol, realizada no México. O sequestro possibilitou a libertação de 40 presos políticos — como Carlos Minc e Fernando Gabeira.

Embora não tenha participado diretamente do sequestro do embaixador Giovanni Enrico Bucher, da Suíça, Alfredo Sirkis foi um dos responsáveis por vigiá-lo. O sequestro levou à liberação de 70 presos políticos.

Em 1971, com a guerrilha em frangalhos, sob ataque cerrado dos militares, Alfredo Sirkis deixa a VPR e exila-se no Chile, onde se torna correspondente do jornal francês “Libération”. Com a queda do presidente Salvador Allende, escapou para o Argentina. Em 1975, já em Portugal, se torna redator-chefe da edição lusa da revista “Cadernos do Terceiro Mundo”, editor internacional do jornal “Página Um” e colaborador do “Le Monde Diplomatique”.

Com a Anistia, Sirkis volta ao Brasil, em 1979. Em 1980, lançou o livro “Os Carbonários”, best-seller instantâneo. Ele trabalhou nas revistas “Veja” e “IstoÉ’.

Participou da fundação do Partido Verde, em 1986, e chegou a ser seu presidente nacional.

Em 1988, Sirkis foi eleito vereador. A aprovação da Lei de Incentivos Fiscais para projetos eco-culturais, em 1992, teve seu dedo de amplo conhecedor das questões ambientais.

Sirkis foi secretário do Meio Ambiente na gestão do prefeito César Maia, em 1993, no Rio de Janeiro. Foi secretário-executivo da Fundação Ondazul.

Para divulgar as ideias do PV, Sirkis disputou a Presidência da República, em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso foi reeleito.

Em 2000, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro. Sirkis coordenou a campanha presidencial de Marina Silva, em 2010, e foi eleito deputado federal.

Em 2014, ao rejeitar a coligação do PSB, então seu partido, com o PT, Sirkis optou por não disputar a reeleição.

Sirkis também se afastou da Rede Sustentabilidade, dedicando-se ao terceiro setor. Ele escreveu vários livros, como “A Guerra na Argentina”, “Roleta Chilena”, “Corredor Polonês” (romance sobre sua família polonesa), “Silicone XXI” (ficção científica) e “Megalópoles”.


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