Cerca de 1.100 funcionários das unidades da Nestlé, situadas nas cidades de Feira de Santana e Itabuna (distante a 109 e 454 km de Salvador, respectivamente) realizaram uma paralisação de advertência nesta segunda-feira, 10.
Os trabalhadores se concentraram em frente às unidades e impediram a entrada de veículos para descarregar material. A manifestação é para pressionar a empresa a negociar o reajuste salarial da categoria, que solicita cerca de 13% de aumento.
De acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentos e Afins do Estado da Bahia (Sindalimentação), Carlos Pereira, já houve três rodadas de negociações e a empresa não apresenta uma proposta justa.
"No último encontro a empresa apresentou a proposta de aumento dando o índice da inflação e queremos aumento real. Queremos 6% mais o índice da inflação", destacou Pereira.
Outra reivindicação dos trabalhadores é condições de trabalho semelhante a dos trabalhadores da unidade em Itabuna, principalmente no que diz respeito a remuneração e benefícios.
"Para se ter um ideia o piso aqui em Feira é de R$$ 950,00 e em Itabuna é de R$$ 970,00. Na produção o pessoal recebe aqui R$$ 1.200 e em Itabuna R$$ 1.700, o que é um absurdo pois as atividades é a mesma, o que não justifica a diferença de valores", frisou o sindicalista.
Além disto os trabalhadores cobram melhorias na alimentação e no transporte, que segundo ele está sendo oferecido em condições precárias. "Há uns 15 dias o ônibus soltou a roda com cerca de 40 trabalhadores dentro e nada é feito. Sem falar na comida onde é comum encontrar insetos e objetos como parafusos e pregos em meio a alimentação", disse um trabalhador que preferiu não ser identificado.
No final da manifestação os trabalhadores realizaram uma assembleia onde aprovaram o edital de greve e deram o prazo para a empresa se pronunciar até o dia 21, caso contrário eles entram em greve por tempo indeterminado.
"Essa unidade é a que mais dá lucro a empresa, tem 80% de isenção de impostos e não é justo sermos discriminados. Se a empresa não apresentar uma proposta melhor vamos paralisar de uma vez", garantiu Carlos Pereira.
Em nota, a Nestlé informou que as negociações estão abertas dentro do calendário previsto. Segundo a empresa, três reuniões já foram realizadas em Feira de Santana e uma em Itabuna. O grupo garantiu que as negociações vêm sendo feitas com transparência e de forma equilibrada.
"Informamos ainda que a Nestlé Brasil cumpre rigorosamente a legislação trabalhista brasileira, em todos os seus aspectos, e adota práticas mundialmente reconhecidas para assegurar total respeito aos seus colaboradores, por meio de seus Princípios de Gestão Empresarial", concluiu.
A Tarde




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