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Coluna Joselito Frés: O Cordão e o Bataclan


Na minha lembrança, ouço um som que vem descendo a rua principal de quem chega à terra de José Inácio. Seria um dia comum, se não estivesse vivendo o clima de micareta.
Pelas ruas, as pessoas com suas mortalhas, caretas, confetes e serpentinas esperam ansiosas o inicio da folia. Na Praça Vivaldo Bastos, um trio ainda com as suas velhas cornetas e seus músicos afinam o tom da alegria. O caminhão equipado de som sairá mais tarde e a expectativa é enorme, afinal de contas, é micareta na terra de José Inácio e são três dias de festa - sexta, sábado e domingo -. Mas o espaço no momento é para os blocos independentes e um deles se destaca, o Cordão de Dió – o cordão é nos dias atuais a mesma coisa de que um bloco sem cordas, o folião pipoca – e a multidão se aglomera pelas ruas ao som do saxofone de Dió e de seus ilustres companheiros: Jonas Tarira, Artur Padeiro, Cuti, Tingo e Mané Cutia. O espaço parece pequeno diante da grandiosidade de seus mestres, a alegria se mistura com a energia de um povo que canta e dança ao som das marchinhas. A cidade parece interligada de ponta a ponta com a felicidade que explode no corpo de cada um. Começa uma das mais tradicionais festas do Vale do Jiquiriça, a micareta da terra de José Inácio. A festa perdurará nesses três mágicos dias e durará bons longos anos...
Que lembranças boas dos áureos tempos da minha terra.
Tempos das micaretas, da irreverência e da alegria.
Dió foi um dos precursores da musicalidade na terra de José Inácio juntamente com o seu Cordão e seus amigos inseparáveis. Não era difícil falar dele, bastava falar do saxofone e do seu clube de festa, o Bataclan. O clube era tão conhecido, que em determinada parte da Rua Jovino Gomes, a rua já mudava de nome e passava a chamar-se, a Rua do Bataclan. A primeira vista, a visão que se tinha era de uma casa com apenas duas janelas (quando pequeno, achava que as janelas tinham mais de cinco metros de altura, devido à dificuldade que eu tinha em ver o baile lá dentro). A porta de acesso se dividia em duas partes e  ficava na lateral do clube logo no inicio de um pequeno corredor onde mais ao fundo se vendia os ingressos. Quem tomava conta da bilheteria e da portaria, era a fiel escudeira de Dió - Dona Elza -. Era ela que determinava quem entrava e quem saía do Bataclan. Já dentro do clube, num palco ao fundo, Dió entoava os seus acordes e a sua sonoridade. Os homens e mulheres se deixavam sacolejar no ritmo de cada musica e assim a festa proseguia. Pela parte lateral do palco podia-se ter acesso ao bar e numa corrida frenética em querer atender ao grande movimento estava Arlindo, conhecido com Nengo.
Dió era tão apaixonado pelo que fazia que em determinado momento havia uma cumplicidade entre ele e o seu saxofone – os dois se entendiam perfeitamente no soprar e no dançar dos dedos . O Bataclan de Dió foi um dos pontos de baladas nas noites de sábado e nas tardes de domingo nos famosos matinês, numa época em que se vivia o prazer significante das pequenas coisas e onde o respeito se dava pelo o olhar. Confesso que na saudade que me toma, bem que eu gostaria de ter aproveitado mais a genialidade desse povo que vivia a arte e a cultura na sua essência e na inocência que lhe cabia. Que não morram jamais as suas lembranças.


Neto Oliveira

Aqui a notícia é fato!

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