Com
sua educação refinadamente fidalga e a voz mansa por natureza e estilo,
o professor Roberto Santos sempre impôs aquela aura de responsabilidade
entre os convivas, sempre ciosos em evitar palavrões e expressões
chulas na vista dele, por entenderem incompatível com o estilo do homem.
Talvez por isso nos tempos em que ele era governador tanto o folclore
festejava seus encontros com os simplórios do interior.
Lá
um dia, tempo de seca, Roberto foi a Antas, efusivamente recepcionado
pelo prefeito João Macário, semi-analfabeto e rude. Adiantou-se:
- Olá, prefeito, quanta saúde... Com o senhor já vi que está tudo bem. Como vai a zona rural?
Macário puxou o governador num canto, e cochichou:
-
Olha, governador. A zona eu acabei porque enquanto eu for prefeito aqui
não vai ter dessas imoralidades. Mas a rural (Rural Willys, antiga
marca de carro utilitário) está aí, velhinha, mas toda boa.
Roberto riu (polidamente).



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