Há dezesseis anos o Dia da Baiana de Acarajé faz parte do calendário de homenagens oficiais da Bahia e do Brasil. Forte registro de identidade cultural baiana, a baiana de acarajé identifica e é identificada pela cultura baiana.
Segundo a Revista de História da Biblioteca Nacional, as primeiras baianas de acarajé foram africanas, escravas alforriadas, ainda na época do Brasil Colônia.
O acarajé, na sua origem só poderia ser vendido pelas filhas de santo de Iansã ou Santa Bárbara. A massa de bolinho de feijão fradinho, cebola e sal, frita no azeite de dendê- era feita no próprio terreiro de onde a baiana saia com todas as obrigações a serem cumpridas a seu Orixá.
Hoje, a venda do acarajé tornou-se um importante comércio, com cerca de quatro mil baianas espalhadas por vários pontos fixos que se tornaram verdadeiros pólos de atração turística e gastronômica,sem que aja uma ponte com o candomblé. A figura da baiana de acarajé ficou imortalizada no imaginário popular brasileiro graças à divulgação feita por três importantes personalidades da cultura baiana: Dorival Caymmi (“O que é que a baiana tem?”), Ary Barroso (“No tabuleiro da Baiana”) e Carmem Miranda (que popularizou no mundo todo o traje da baiana).
O ofício das baianas de acarajé foi registrado, em 2005, como Patrimônio Cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (Iphan), registrado no Livro de Registro de Saberes.
O acarajé também foi reconhecido como Patrimônio Cultural de Salvador pela Câmara Municipal. “Para mim, é uma enorme honra ter meu nome ligado a este fato, que eventualmente alguns podem desconhecer a dimensão e importância, mas para nós da Bahia significa uma verdadeira afirmação nacional de uma das figuras mais caras de nossa cultura, que todo o baiano traz no coração e, com certeza, todo o turista que já foi a Bahia também leva em seu coração”, afirmou o autor do projeto, deputado Mário Negromonte.
Juntamente o queijo mineiro e a festa do Bumba Meu Boi, são consideradas patrimônio cultural imaterial do Brasil, juntamente com um acerto de expressões, línguas, comidas, artes performáticas, rituais e festas que marcam a vivência coletiva, a religiosidade, e as manifestações literárias, musicais, plásticas e cênicas características do Brasil.
No ano de 2009, as baianas foram homenageadas em Salvador, com um memorial. A finalidade do Memorial da Baiana de Acarajé é situar a tradição, a história e demais temas agregados ao ofício registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura como Patrimônio Cultural do Brasil.
Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional




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