Depois de um mês de campanha acirrada, assistindo a troca de acusações entre políticos e dezenas de argumentos prós e contras, os 4,8 milhões de paraenses vão às urnas neste domingo (11) para uma eleição histórica. Ao fim do dia, eles vão opinar se o Brasil vai continuar com as atuais 26 Estados –e o Distrito Federal– ou se passará a ter 28, com a divisão do Pará e criação de Carajás e Tapajós. Todos os eleitores com título no Estado são obrigados a votar.
O eleitor deverá responder a duas perguntas: ''Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado de Carajás?'' e ''Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado do Tapajós?''. Para responder sim, o eleitor deve digitar o número 77. Para responder não, o número é 55.
Se o resultado do plebiscito for “não”, a questão está encerrada. Se for “sim”, a proposta de divisão deverá ser transformada em projeto de lei e precisará ser aprovada no Congresso Nacional e depois sancionada pela Presidência. Só depois disso, o país poderá de fato ganhar dois novos Estados.
Veja algumas opiniões:
os integrantes da banda Calypso se dividiram sobre o assunto plebiscito. Chimbinha opina: "Acho que não precisa dividir. O que quero é que o governo olhe mais para o sudeste, para o oeste do Estado." Joelma fala: "Queria realmente saber o que é o melhor para o Pará, mas realmente eu não sei se seria melhor dividir".
O meia Paulo Henrique Ganso, natural de Ananindeua (região metropolitana de Belém), é contra a divisão do Pará. À reportagem, a assessoria do Santos disse que o atleta prefere não falar mais sobre o assunto. Na imagem, Ganso veste a camisa do Pará após a conquista da Libertadores.
A cantora Fafá nasceu em Belém, mas mora há 29 anos em São Paulo. Ela até chorou em depoimento televisivo para a campanha do "não".
O ex-seringueiro Manuel Oliveira dos Santos, 88 anos, foi funcionário em fazendas da multinacional norte-americana Ford por dez anos: "Não sei se vão me deixar votar. Tenho o título de .leitor e quero votar pelo sim para endireitar as coisas. Precisamos de mais dinheiro na região", afimra o morador de Belterra, que ficaria no Estado de Tapajós caso aprovasse no plebiscito.
O cantor Beto Barbosa, que nasceu em Belém, mas morou boa parte da vida no Ceará e em São Paulo, é a favor da divisão do Estado: "O dinheiro se concentra todo em Belém e é mal administrado".
Se for dividido, o “novo Pará” ficará com 17% do território atual, mas concentrará 4,8 milhões dos 7,5 milhões de habitantes em seus 78 municípios remanescentes. A capital continuaria sendo Belém. Maior território e mais pobre em caso de divisão, o Tapajós –na região oeste do Pará– vai ficar com 59% das terras paraenses e 1,2 milhão de moradores em 27 municípios. A capital do Estado seria Santarém. Parte com maior PIB per capita, o Carajás teria 24% do território, correspondente à região sudeste paraense. Com 39 municípios, entre eles a possível capital, Marabá, o Estado teria 1,6 milhão de moradores.




Nenhum comentário: