O ex-jogador Sócrates, não suportou a terceira internação em menos de quatro meses e faleceu na madrugada deste domingo, às 4h30, aos 57 anos. Depois de se sentir mal na noite de quinta-feira, ele foi levado à UTI do Hospital Albert Einstein, onde foi confirmada uma infecção intestinal causada por uma bactéria. Após leve melhora no sábado, ele acabou não resistindo e teve sua morte confirmada em decorrência de um choque séptico,falência circulatória aguda.
Pouco antes de ser levado ao hospital, Sócrates esteve em um restaurante em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, com a esposa e um amigo. O boletim médico, no entanto, não confirma se a comida tenha causado o mal-estar subsequente.
Já no hospital, ele foi submetido a um tratamento com antibióticos, que fizeram seu quadro apresentar leve evolução. No entanto, ele seguia na UTI em estado grave, respirando por aparelhos e com um tratamento dialítico. No entanto, bastante debilitado após os recentes problemas semelhantes, ele não resistiu.
Antes de ser internado neste final de semana, o ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira já havia enfrentado drama semelhante em duas outras ocasiões. Em agosto e setembro deste ano, ele permaneceu no hospital por complicações no fígado, que provocaram hemorragias digestivas. Ambas estavam ligadas ao alto consumo de álcool. Na primeira ocasião, recebeu alta após nove dias. Na segunda, após 17.
Em tratamento em casa, ele precisaria seguir uma dieta rígida e esperar uma estabilização do quadro por algum tempo, para que seu corpo pudesse se fortalecer.
Como jogador, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, encantou pelo estilo clássico em campo. Ele foi revelado nos anos 70 com a camisa do Botafogo de Ribeirão Preto, pelo qual despertou interesse de grandes equipes pelo futebol de classe no meio de campo, pelos passes precisos e também pelos gols, que levaram o Botafogo ao título do primeiro turno do Campeonato Paulista de 1977. No ano seguinte, transferiu-se ao Corinthians, ganhando três títulos estaduais e tornando-se um dos maiores ídolos de sua história, com um total de 172 gols, oitava marca do clube.
Politizado e envolvido na política, ele foi ainda um dos líderes da geração da Democracia Corintiana, buscando dar aos jogadores palavra nas decisões interna do clube. Mais tarde, participou diretamente da campanha pelas eleições diretas no Brasil, já no início da década de 1980.
Na Seleção Brasileira, fez parte da inesquecível equipe comandada por Telê Santana em 1982, da qual era capitão. A equipe acabou eliminada pela Itália, mas ficou na história pela qualidade técnica. Em 1986, novamente sob o comando de Telê Santana, esteve no time que caiu nas quartas de final diante da França, tendo sua cobrança de pênalti defendida na série decisiva. No geral, defendeu o país em 63 ocasiões, com 25 gols marcados.
Fora dos campos, Sócrates se formou como médico e ainda chegou a exercer a profissão após o encerramento da carreira. Ele também teve participava regularmente de programas de televisão, escrevia para revistas e se manteve ligado à política. Irmão do também craque Raí e presente na lista FIFA 100 de 2004, que reunia na ocasião os maiores jogadores de futebol ainda vivos, ele deixou seis filhos e um grande legado ao futebol brasileiro.
Após a confirmação do falecimento, o corpo do ex-craque deixou o Hospital Israelita Albert Einstein na manhã deste domingo em direção ao interior paulista, onde será velado no cemitério Bom Pastor às 13 horas (de Brasília). O enterro está marcado para as 17 horas.
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) publicou nota oficial lamentando a morte do capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982 e decretou que será realizado um minuto de silêncio em homenagem póstuma ao ex-jogador antes de todas as partidas deste domingo, que marcam a última rodada do Campeonato Brasileiro.
FIFA.COM




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