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Maracás de 161 anos e as influencias populacional

Por: Itiruçu Notícias - - terça-feira, 19 de abril de 2016 - 0 Comentários


Maracás distante 375 quilômetros de Salvador e situa-se no sudoeste baiano. Essa cidade é um dos mais antigos municípios, surgida no processo de interiorização do território baiano. As primeiras referências da localidade datam de 1660 quando bandeirantes portugueses, ao subir o Rio Paraguaçu, em direção á Serra Geral, lá enfrentaram os indígenas Maracás – homens guerreiros que assim eram chamados pelo uso de um instrumento, o maracá, que consistia em um cilindro de madeira ou cabaça ocos, contendo no seu interior pedras pequenas.

A resistência de tais indígenas impossibilitou um avanço maior dos portugueses, que voltaram à região novamente em 1671 com os sertanistas Baião Parente, Brás Rodrigues Arcão, sargento Pedro Gomes e Gaspar Rodrigues Adorno. Eles dizimaram a população indígena e construíram no local um criatório de gado. Graças às boas pastagens e localização geográfica (um entroncamento que ligava as minas de Rio de Contas ao litoral sul e a capital) em 1855 é criado o município de Maracás, desmembrado de Mucugê.

Fazia parte de Maracás neste período uma enorme extensão de terras que hoje constituem as cidades de Milagres, Jequié, Manoel Vitorino, Jaguaquara, Itiruçu, Lagedo do Tabocal e Contendas do Sincorá, todas essas localizadas na região sudoeste da Bahia. Ao passar na região entre 1817 e 1820, os viajantes Spix e Martius vão dizer que o Arraial de Maracás, “[...] além de muito ruim e muito pobre, estava abandonado pela maioria dos habitantes” (SPIX e MARTIUS, p. 1967: p. 117). Entretanto, ao que parece, esta pauperização da localidade não é um fato somente do inicio do século XIX, pois Durval Vieira de Aguiar, ao passar pela localidade no final do século XIX, afirmava que a vila se encontrava em franco declínio, “[...] com baixa e ordinária edificação, feias ruas, uma grande praça com velhas e arruinadas casas, tendo no centro a velha matriz.”. (AGUIAR, 1979: p 218). Segundo ele o município contava com muitas fazendas de criação, mas poucas eram prósperas. A presença escrava nesta região é assinalada por um dos poucos censos realizados no interior do Estado: em 1870 registrava-se na localidade uma população de 11.500 pessoas livres e 810 escravos. Como se observa, a população escrava não teria sido grande na localidade, como também assevera Aguiar ao criticar a prática da monocultura existente no recôncavo do estado:
Para tudo isso se recomenda essa ubérrima região, onde nunca predominou o braço escravo, sempre muito reduzido, por isso que a lavoura tem sido variada, segundo o gosto e as forças de cada um, em roças cercadas, que se transmitem a filhos e netos, sem que a terra canse de produzir como a do recôncavo. (AGUIAR, 1979: 219)
Analisando livros de óbitos e batismos podemos ter um dado aproximado da realidade social daquela localidade. Dos 351 registros de óbitos correspondentes aos anos de 1877 a 1887, aproximadamente 35%, ou seja, 123, diziam respeito a escravos e libertos. A maioria dos escravos vivia na zona rural e pertencia a algumas famílias de grandes fazendeiros da região, como a “Silva Pinto”, “Dias Nascimento” e “Souza Meira”. Entretanto, são detectados também alguns escravos urbanos, moradores de Maracás, e que trabalhavam na casa de seus senhores, bem como em seus negócios.
Outros viviam em casas separadas de seus senhores, como é o caso da escrava Porcina, que morava na Rua da Baixa da Areia, enquanto a sua dona Carlota Morbeck morava na praça da Matriz. A escrava Roza de José Antonio Cardoso na rua dos Periquitos já seu senhor na rua da Entrada do Sertão. A Igreja também possuía escravos, um desses era José, africano, escravo do Vigário Antonio Nunes Pinheiro de Almeida, pároco da Igreja Matriz de Maracás. Percebe-se na cidade de Maracás uma configuração espacial pautada nas questões étnicas e sociais. Enquanto a elite econômica da cidade morava na Praça da Matriz, os comerciantes moravam na rua da Entrada do Sertão e a população pobre e negra morava nas ruas circundantes como a rua da Baixa da Areia e a rua dos Periquitos.
Ao que parece na rua dos Periquitos havia uma concentração de africanos e seus descendentes. Lá vivia Euzebia Luiza de Souza, 60 anos, parda, viúva, e que era uma das parteiras da localidade, que morreu em 1879 de Moléstia Interna, deixando três filhos.
Outro morador era Jabú, livre pela lei dos sexagenários, tinha mais de sessenta anos, era solteiro e vivia de lavoura, tinha sido escravo de dona Maria Joaquina Saraiva, também tinha conseguido uma casa própria, na qual falecera de moléstia Interna em 1887. Outro morador da rua dos periquitos era José Africano, que depois de ser liberto pelo vigário Antonio Nunes Pinheiro de Almeida, foi para a Rua dos Periquitos, onde morreu em 1887 aos 80 anos de idade. Também lá vivia a escrava Roza, preta que pertencia a José Antonio Cardoso e, assim como a já referida Porcina morava em casa diferente daquela
do seu senhor.
Foi nesse espaço negro - a rua dos Periquitos em Maracás - que emergiu a figura de Maria Jacaré, por alguma razão que não podemos ainda saber foi em sua casa que alguns ex-escravos, nascidos na África preferiram morrer, este é o caso, por exemplo, de João Africano, solteiro, liberto, morto em 1877 aos 65 anos de Moléstia Interna. Também Nicolau Africano, ex-escravo de Maria Jardim, encontrava-se livre e morreu em 1880, aos 80 anos de velhice e José Cobra de 100 anos, ex-escravo do Major José Antonio Ribeiro de Novaes, solteiro, liberto, morrera de velhice em 1880. Todos estes óbitos foram registrados por uma única pessoa, Joaquim Nagô, que provavelmente tinha uma relação de proximidade com Maria Jacaré. Quem seria Maria Jacaré. Algumas hipóteses podem ser levantadas sobre quem teria sido Maria Jacaré, por exemplo, ela poderia ter sido uma curandeira que atraia doentes na busca para a cura de seus males e/ou ainda uma líder religiosa, procurada nos momentos finais da vida pelos enfermos. No período em estudo, na zona rural há indícios de que existiam comunidades quilombolas ou, o que é mais provável, comunidades negras, compostas por remanescentes de quilombos da região e escravos alforriados. Em Maracás é registrada uma localidade denominada Zumbi, local de onde veio no ano de 1879 Rufino Forte (sem referência se era liberto ou não) registrar a morte de Clemência Raiz Pereira, de 100 anos (nasceu em Rio de Contas). Ela era natural de Minas do Rio de Contas (atual cidade de Rio de Contas), e sua mãe Maria ainda estava viva e morava na localidade de Zumbi. Pela expectativa da idade apresentada, mesmo não sendo correta, Clemência devia pertencer à segunda geração de moradores da localidade. No registro de Óbito consta que morreu de velhice. Havia ainda uma localidade denominada de Quilombo, onde viviam escravos pertencentes à Ana Francisca Gonçalves. Um desses escravos era Brígida, cor cabra, solteira, com dois filhos e que sucumbiu á moléstia interna. A localidade Quilombo não pertencia a Ana Francisca Gonçalves, provavelmente, como em outros casos analisados, o escravo não morava na casa do seu senhor. Leia mais.
Viver e morrer no sertão baiano: dimensões da vida negra em Maracás/BA (1877-1887)


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